Sócios

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O "ch" da questão

O chá na chácara
uma chacina de chacota
tem chalaça no chalé
chama na chaleira

Chamariz de chá-mate
chamuscadela e chamego
uma chance de chanchada
chapado de chapéu é charada

Chapa, chão, chantagem
uma chance, um charme
tem charque e charrua
tem chasque e charuto

Chato, chefe, chega!
to cheio de cheirar
o cheiro cheiroso
do chiclé do chico

Cheque, chicotada, chifrada
uma china com chilique
chinelas ou chilenas?
que chinfrim chique!

O chocalho na choça
chocho, choco, chocante
choro, choque, chouriço
chocolate com chuchu

Um chumaço de chumbada
o chupim, a chula
chute com chuteira
pra chutar a churrasqueira

Chupada na chupeta
chuva, chuvisco
chuvoso, chuveirada
é a chuva no chuveiro.


Kleber Jose Goularte Martins 23/11/2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Trinta horas, para mim é assim

O dia anda curto

não consigo fazer tudo

queria ter mais tempo

para mim é assim, viver



As horas passam rápido

acordo correndo

descanso comendo

para mim é assim, correr



Queria trinta horas no meu dia

dez para trabalhar

resolver meus problemas

para mim é assim, fazer



Queria trinta horas

dez para dormir

descansar meu corpo

para mim é assim, adormecer



Queria trinta

dez horas para você

poder te amar, amar

para mim é assim, entreter.


Kleber Jose Goularte Martins 16/11/2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tarde da noite

É tarde da noite

eu sinto pena

depois que você passa

um dia, outro e outro



Primavera aqui no sul

mas nada faço

penso comigo

a caragem vem e vai



Temperatura baixa, fria

um pouco é medo

amanhã falo com ela

serão muitos encontros



Na rua você caminha

eu tenho vergonha

e assim o tempo passa

de olhares, tarde da noite



Kleber J. G. Martins 03/11/2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Na ponta do lápis

Todo o mundo, tudo
o que sinto
ouvir, consigo, a verdade
grito alto, escrevo em silêncio
É luta vã, na ponta do lápis
forte, fraco, não minto
só falo a língua falada
só escrevo a língua escrita
tornando a fala rimada



Goularte e Martins 02/11/2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Folhetim - Relacionamento dos anos 2000 - Capítulo IV – Abreviando e simplificando

Não é fácil se relacionar, ainda mais quando se trata de um relacionamento amoroso... Muitas coisas ficam sem entendimento. No inicio tudo é lindo, o amor, paixão, aquela coisa louca, um sentimento gostoso, mas logo, acontece uma coisa que muitos relacionamentos não conseguem resistir. A “Rotina”, e ao primeiro sinal de rotina é abreviar e simplificar tudo. Vejamos:
Simplificar não é bom, começa simplificando os nomes, é Dan pra cá, é Vivi pra lá... E assim por diante, logo são os beijos, aqueles demorados, molhados, suculentos e com estalos dão lugar as bitócas, selinhos entre outros. Até o sexo não resiste, primeiro chegavam a durar duas horas ou mais, dependendo da dosagem do vinho... Depois uma hora e olhe lá, logo meia hora, vinte minutos e na pior das vezes, nem chega a dez minutos. Para ele parece normal, mas ela já começa a reclamar.
Essa história de simplificar não é boa, olhando a primeira vista parece normal, mas ao observar a fundo, se trata de um problema.
– Dan! Ela o chama
– Hum!
– A gente só fica em casa, antes você me levava pra sair, dançar, jantar e agora?
– Hum!
– A gente podia ir ao show da Tequila Baby.
– Amor! Tequila Baby é Punk Rock.
– E daí?
– Daí que só tem cabeludo, chapado e ainda por cima se quebram a pau numa “roda punk”. Não acho uma boa idéia, você não vai gostar muito. Acho melhor a gente ficar em casa hoje, e assim que vier algum show mais calmo eu prometo que te levo. Hoje eu economizo, descanso e ninguém se machuca. Estoura umas pipocas e a gente pode assistir “a fuga das galinhas”, o que você acha?
– Fazer o que?
Logo ela chega com a bacia de pipocas, coloca no colo dele e diz:
– o Carlão vai levar a Manu no show.
– o Carlão é louco... Ele tem um metro e meio e ela um metro e quarenta de altura... Vão passar por cima deles. Lá só tem louco. Você vai ver, jogo que amanha vão estar os dois de cama. Vamos assistir ao filme que é menos perigoso.
– qualquer hora dessas você vai assistir “a fuga da namorada” não das galinhas, isso sim. Conclui ela, ligando o DVD.
Não sei se vocês perceberam mas ela ficou brava, muito brava. E além do mais surgiu outro probleminha, é a dita comparação. Eu detesto isso. Se o Carlão quer ir que vá. A Manu não agüenta um tapa, imagina os dois dentro de uma roda punk... Empurrões, ombradas, ponta pés, chute na bunda, cabeçadas... Eles não vão resistir. Quando a banda tocar “velhas fotos”, logo serão “velhos amigos”. Mas as mulheres têm que comparar sempre o relacionamento com o de alguém. Por favor, não faça isso. Tenho certeza de que Daniel não gostou. E só de raiva, vai quebrar até o CD da Tequila Baby. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

Kleber J. G. Martins

Notícia do dia:

Em um grande jornal do nosso Rio Grande, a manchete dizia: "Motorista responderá por atropelar galinhas".
Acredito que a nossa justiça está mesmo fora dos padrões da nossa vida atual, a do século XXI acontece esse tipo de coisa...
Um motorista de caminhão, dirigindo em uma rodovia estadual, de movimento considerável, onde se anda a uma velocidade razoável, de repente, do nada, tem que freiar o caminhão carregado para evitar atropelar duas galinhas, que não se sabe nem quem é o dono, nem o que elas faziam ali. É o cúmulo.
O motorista está sendo processado por crueldade contra animais, graças ao testemunho de uma promotora que presenciou a cena e comunicou a Brigada Militar.
Agora vejamos o fato por outro lado, que não seja o das galinhas é claro...
De repente você está dirigindo seu caminhão, carregado, à uma velocidade média de 80 km/h, quando surgem duas galinhas, loucas pra atravessar a rodovia, então você, na tentativa de desviar ou de não atropelar os pobres animais, freia bruscamente. O que poderia acontecer? rodar e virar o caminhão, invadir a pista contrária ou o acostamento.
Eu pergunto?
- quem pagaria pelos danos causados no seu veículo e no de terceiros?
- quem responderia por você ter atropelado pessoas no acostamento?
- e caso você batesse de frente com outro veículo na contramão?
Na verdade eu sei as respostas para essas perguntas, e sei mais ainda?
Sei que a promotora a essa hora estaria longe da cena do acidente. Só pode que essa pessoa não tem o que fazer. Me adimira algum Juíz interpretar o fato como de mal gosto sem levar em consideração o que poderia acontecer ao evitar o atropelamento das galinhas. Faça-me o favor Sr. Juíz! temos casos mais importantes para serem resolvidos.
Obrigado pela atenção

Kleber J. G. Martins 20/10/2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Folhetim - Relacionamento dos anos 2000 - Capítulo III – Anunciando o namoro

– Pai! Eu e o Daniel estamos namorando.
O velho tossiu, a velha também e o cão rosnou.
– eu gosto muito dele, e já conversamos.
O velho tossiu, a velha também e o cão rosnou novamente.
– o que o senhor pensa sobre isso? Pergunta a moça.
O velho tossiu, a velha engoliu o mate quente como se fosse água de coco em dia de verão baiano e naquele momento de tensão até o Demétrius tossiu, nunca tinha visto cachorro tossir, mas esse sim, tossia feito gente.
–Se fizer minha filha sofrer, te arranco o couro do corpo inteiro com aquela adaga e faço um tapete pra limpar os meus pés.
– Que isso pai! Pergunta a moça, repreendendo o velho.
Daniel suava frio, engoliu seco, e soltou um:
– pode ficar tranqüilo, Seu Antonio.
Dona Tere serviu o jantar, na tentativa de acalmar os nervos e matar a fome é claro. Conversaram sobre tudo, família, trabalho, histórias de infância e diversos assuntos. A noite terminou bem, ninguém saiu machucado, o rapaz até recebeu convite pra voltar quando quiser. Bom, a noite se aprofundou, e a conversa estava muito boa, mas Daniel tinha que ir. O cão, que no inicio rosnava pro rapaz, já se esfregava nas pernas dele, era o inicio de uma grande amizade. O rapaz se despediu de todos e a moça o acompanhou até o portão, pra conversar um pouco a sós com ele.
– viu? Eu te falei que meus pais iam gostar de você.
– tomara, tomara. Diz ele, já aliviado.
–pode vir quando quiser, meu pai gostou de você.
Passado esse primeiro momento, os dias foram passando, os meses, e Daniel já freqüentava a casa de Viviane mais do que a sua casa. Dormia lá, almoçava, jantava, tomava café, até a geladeira já abria. Falando em geladeira. Já ouvi casos que dizem que não é recomendável abrir a geladeira do sogro sem permissão. Você pode até dormir na casa dele, as vezes até dormir com a filha dele, mas nunca, nunca abra a geladeira do velho por conta própria. É só uma dica. Caso contrário você pode ganhar um inimigo ao invés de um sogro.

Kleber J. G. Martins